quinta-feira, 28 de abril de 2022

No começo de nossa aula remota discutimos as diferentes alimentações das crianças no Brasil, a partir de fotos de crianças e suas respectivas alimentações semanais, tinham fotos de crianças indígenas, quilombolas, crianças de classe alta e baixa do Brasil, percebemos que as crianças indígenas e quilombolas possuíam uma alimentação mais saudável que as demais, pois sua comida é retirada da própria natureza, isto é, sua alimentação esta totalmente ligada ao território que habita, enquanto as crianças urbanas geralmente consomem produtos industrializados. A partir disso uma coisa me chamou atenção, a criança de classe baixa comia pouco semanalmente, dessa forma refleti sobre os processos de alimentação no mundo capitalista, pois para comprar comida a pessoa precisa vender sua força de trabalho, porém se não tiverem empregos disponíveis a pessoa pode morrer de fome e mesmo se tenha os baixos salários propiciam uma má alimentação, enquanto isso os indígenas que vivem em suas próprias terras dependem única e exclusivamente do seu território para alimentação.

Isso nos mostra que além de serem seu local de moradia e possuírem conexões religiosas e emocionais o território é fundamental para sua sobrevivência, a partir disso o professor dialogou sobre o processo de demarcação dos territórios indígenas e seus conflitos políticos, afinal os territórios que os índios habitam são de grande interesse econômico das grandes corporações. Desde sempre os povos indígenas foram exterminados e tiveram que sobreviver as mudanças que lhe são impostas, desde os tempos da colonização, para refletir sobre isso o professor propôs uma dinâmica na qual refletíamos sobre como seria se a Bahia fosse colonizada pela Rússia, podemos experenciar através do pensamento essa violência física e simbólica proveniente do processo de colonização.

Logo em seguida o professor mostrou um vídeo de um jornalista chamado Eduardo Bueno na qual ele falava sobre o marco temporal que em “tese estabelece que as populações indígenas só podem reivindicar terras que ocupavam na data da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988”, para isso ele conta a historia da tribo dos Xokleng, tribo essa que morava no Estado de Santa Catarina, por conta de perseguições violentas, chacinas e estupros, sua população foi quase exterminada como um todo, porém felizmente conseguiram sobreviver, contudo tiveram que ao longo do século XX se deslocarem para outro lugar por tais questões, com isso a aprovação do marco temporal não garante a esse povo sua terra de origem, isso demonstra o quão problemático é esse marco temporal, retirando as terras de povos que estavam aqui desde muito antes do século XV. A partir da historia desse povo pude perceber ainda mais o quão brutal os colonizadores e os próprios Brasileiros foram com os povos indígenas e também com os negros e refleti sobre como essa violência não poderia ser reduzida a partir de eufemismos, porém lembrei o quão complexo seria explicar isso para as crianças sem causar danos a sua psique.

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