No
começo de nossa aula remota discutimos as diferentes alimentações das crianças
no Brasil, a partir de fotos de crianças e suas respectivas alimentações
semanais, tinham fotos de crianças indígenas, quilombolas, crianças de classe
alta e baixa do Brasil, percebemos que as crianças indígenas e quilombolas possuíam
uma alimentação mais saudável que as demais, pois sua comida é retirada da própria
natureza, isto é, sua alimentação esta totalmente ligada ao território que habita,
enquanto as crianças urbanas geralmente consomem produtos industrializados. A
partir disso uma coisa me chamou atenção, a criança de classe baixa comia pouco
semanalmente, dessa forma refleti sobre os processos de alimentação no mundo
capitalista, pois para comprar comida a pessoa precisa vender sua força de trabalho,
porém se não tiverem empregos disponíveis a pessoa pode morrer de fome e mesmo
se tenha os baixos salários propiciam uma má alimentação, enquanto isso os indígenas
que vivem em suas próprias terras dependem única e exclusivamente do seu território
para alimentação.
Isso
nos mostra que além de serem seu local de moradia e possuírem conexões religiosas
e emocionais o território é fundamental para sua sobrevivência, a partir disso o
professor dialogou sobre o processo de demarcação dos territórios indígenas e
seus conflitos políticos, afinal os territórios que os índios habitam são de
grande interesse econômico das grandes corporações. Desde sempre os povos indígenas
foram exterminados e tiveram que sobreviver as mudanças que lhe são impostas,
desde os tempos da colonização, para refletir sobre isso o professor propôs uma
dinâmica na qual refletíamos sobre como seria se a Bahia fosse colonizada pela Rússia,
podemos experenciar através do pensamento essa violência física e simbólica proveniente
do processo de colonização.
Logo
em seguida o professor mostrou um vídeo de um jornalista chamado Eduardo Bueno
na qual ele falava sobre o marco temporal que em “tese estabelece que as
populações indígenas só podem reivindicar terras que ocupavam na data da
promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988”, para isso ele conta a
historia da tribo dos Xokleng, tribo essa que morava no Estado de Santa
Catarina, por conta de perseguições violentas, chacinas e estupros, sua
população foi quase exterminada como um todo, porém felizmente conseguiram
sobreviver, contudo tiveram que ao longo do século XX se deslocarem para outro
lugar por tais questões, com isso a aprovação do marco temporal não garante a
esse povo sua terra de origem, isso demonstra o quão problemático é esse marco
temporal, retirando as terras de povos que estavam aqui desde muito antes do século
XV. A partir da historia desse povo pude perceber ainda mais o quão brutal os
colonizadores e os próprios Brasileiros foram com os povos indígenas e também
com os negros e refleti sobre como essa violência não poderia ser reduzida a
partir de eufemismos, porém lembrei o quão complexo seria explicar isso para as
crianças sem causar danos a sua psique.